Dica do Professor 14 – Cor Local

Bem-vindos à Dica do Professor! O impacto das cores numa composição é enorme. Como já vimos diversas vezes na Dica, a cor não apenas destaca uma composição, mas pode ser uma ferramenta narrativa, dramática, compositiva etc. Observe a ilustração desta semana:

Exploradores de Anthinea Vitor Gorino 2013 http://vitorgorino.daportfolio.com/

Exploradores de Anthinea
Vitor Gorino
2013

Para entender melhor o uso da cor, é preciso que se entenda o conceito de cor local:

“ O termo é usado para referir-se à cor original de um objeto visto sobre a luz natural, como a maçã vermelha, o leite branco, a laranja amarela. Os artistas ligados à arte moderna subvertem essa regra, não trabalhando apenas com a cor original dos objetos, como vistos na realidade. Eles elegem as cores, representativas agora de seus sentimentos ou do próprio movimento, afastando-se do uso da cor local.”

(fonte: Itaú Cultural)

Na ilustração de hoje, capa da webcomic Exploradores de Anthinea, de Abraham Martinez, a composição de cores não trabalhou com a cor local. Em vez disso, o uso da cor priorizou o design e o impacto visual, combinando o alto contraste de claro-escuro (luz e sombras) com vermelhos e laranjas claros e pouco saturados. Veja mais no quadro:

Arte_02

A opção por não usar a cor local, favorecendo um uso mais expressivo e pessoal de cores surge com mais importância na história da arte a partir do Fauvismo (leia Fovismo):

“O grupo, sob a liderança de Henri Matisse (1869 – 1954), tem como eixo comum a exploração das amplas possibilidades colocadas pela utilização da cor. A liberdade com que usam tons puros, nunca mesclados, manipulando-os arbitrariamente, longe de preocupações com verossimilhança, dá origem a superfícies planas, sem claros-escuros ilusionistas. As pinceladas nítidas constroem espaços que são, antes de mais nada, zonas lisas, iluminadas pelos vermelhos, azuis e alaranjados. Como afirma Matisse a respeito de A Dança (1910 – veja abaixo):

‘Para o céu um belo azul, o mais azul dos azuis, e o mesmo vale para o verde da terra, para o vermelhão vibrante dos corpos. Os fauvistas fazem sua primeira aparição pública no Salão de Outono, em Paris, 1905. No ano seguinte, no Salão dos Independentes, o crítico Louis Vauxcelles batiza-os de fauves (feras, em francês) em função da utilização de cores fortes e intensas”.

Esteja atento para como os artistas escolhem usar suas cores, há muito mais ali do que se imagina numa primeira observação! E, como sempre, acompanhe nossas dicas no facebook e no blog.

Abraços e até a próxima!

Vitor Gorino.

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